O que normalmente o Técnico em Segurança do Trabalho gosta de ouvir, mas, ninguém diz o que precisa ser dito.
O Técnico em Segurança do Trabalho gosta de ouvir que a prevenção está funcionando, que vidas estão sendo preservadas e que seu trabalho é reconhecido como essencial dentro das organizações.
Falar de segurança eficaz, respeito às Normas Regulamentadoras e valorização profissional é, sem dúvida, motivador. No entanto, limitar o debate apenas a esses temas é ignorar problemas sérios que a própria categoria precisa ouvir e enfrentar.
Um dos maiores desafios da profissão é a falta de união entre os Técnicos em Segurança do Trabalho. A ausência de uma atuação coletiva forte enfraquece a representatividade da classe, dificulta avanços institucionais e abre espaço para que outras profissões ditem regras, muitas vezes sem conhecer a realidade técnica do dia a dia da segurança do trabalho.
Outro ponto crítico é a inexistência de um Conselho Federal próprio, sem um órgão que regulamente, fiscalize e defenda exclusivamente a profissão, a categoria permanece vulnerável, sem voz ativa e sem controle efetivo sobre o exercício profissional. Um Conselho próprio não é privilégio, é necessidade para garantir ética, qualidade técnica e respeito à atuação do Técnico em Segurança do Trabalho. Pelo amor de Deus, pense nisso para não se arrepender em um futuro próximo.
Também é preciso reconhecer, com responsabilidade e honestidade, o despreparo profissional de parte de alguns técnicos. Há quem enxergue a função apenas como um emprego, limitando-se ao cumprimento mínimo de tarefas, sem atualização técnica, sem posicionamento profissional e sem compromisso real com a prevenção. Essa postura compromete a imagem de toda a categoria e enfraquece a credibilidade da segurança do trabalho.
Valorizar a profissão passa, obrigatoriamente, pela autocrítica, pela busca constante por qualificação, pela postura ética e pela união da classe quase que inexistente.
O Técnico em Segurança do Trabalho precisa ir além da estabilidade do emprego e assumir seu papel como agente de transformação, defensor da vida e protagonista na construção de ambientes de trabalho seguros, dignos e humanos.
Somente com união, preparo técnico e representatividade própria será possível fortalecer a profissão e garantir o reconhecimento que a segurança do trabalho verdadeiramente merece.
Marcio Santiago Vaitsman
Comentários
Postar um comentário
As informações disponibilizadas nesse Blog são de caráter genérico e sua utilização é de responsabilidade exclusiva de cada leitor.