NR-1: COMO AS EMPRESAS RECEBERAM A INCLUSÃO DOS RISCOS PSICOSSOCIAIS?



A saúde mental entrou definitivamente na pauta da Segurança e Saúde no Trabalho, mas será que as empresas estão realmente preparadas para essa mudança?

A partir de 26 de maio passado, entrou em vigor a nova redação do capítulo 1.5 da NR-1, incorporando expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais – GRO.

A mudança representa um avanço importante. Afinal, durante muito tempo, a prevenção esteve concentrada principalmente nos riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. Agora, questões relacionadas à organização e às condições de trabalho também precisam ser consideradas na identificação, avaliação e controle dos riscos ocupacionais.

Mas fica uma pergunta, como as empresas receberam essa nova responsabilidade?

Será que estão tratando o assunto como uma verdadeira oportunidade de prevenção ou apenas como mais uma obrigação documental?

Pressão excessiva, sobrecarga de trabalho, falta de autonomia, metas incompatíveis, jornadas desgastantes, assédio, conflitos, falta de apoio e outras situações relacionadas à organização do trabalho podem contribuir para o adoecimento dos trabalhadores.

E aqui está um ponto fundamental:

Não basta colocar “riscos psicossociais” no PGR. É preciso identificar os perigos, avaliar os riscos, ouvir os trabalhadores, estabelecer medidas de prevenção e acompanhar a eficácia dessas ações. A própria NR-1 prevê a participação dos trabalhadores no gerenciamento dos riscos e a consideração das condições de trabalho nos termos da NR-17.

O Ministério do Trabalho e Emprego, inclusive, disponibilizou em 2026 um Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da NR-1, além de materiais de perguntas e respostas para orientar empresas e profissionais de SST.

E o papel dos profissionais de SST?

Este é um momento que exige conhecimento, responsabilidade e, principalmente, mudança de cultura prevencionista.

O Técnico em Segurança do Trabalho, o Engenheiro de Segurança, o Médico do Trabalho, o profissional de Recursos Humanos e os demais envolvidos na gestão de SST precisam trabalhar de forma integrada.

Saúde mental também é prevenção!

Não podemos esperar que o trabalhador adoeça para depois procurar uma solução.

A verdadeira prevenção começa antes do adoecimento: identificando o risco, ouvindo quem está exposto e modificando aquilo que precisa ser modificado.

E você, prevencionista? Como sua empresa recebeu a nova realidade da NR-1.

Está apenas atualizando documentos ou realmente promovendo mudanças na organização do trabalho?

Deixe sua opinião. Esse debate precisa sair do papel e chegar ao ambiente de trabalho.

Blog Conselho e Segurança é informação, prevenção e valorização dos profissionais de Segurança do Trabalho.

Marcio Santiago Vaitsman


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