Creia que essa luta pelos Técnicos em Segurança, nunca foi por mim, mas, pela dignidade da profissão.
Poucos sabem, mas, mesmo não dependendo mais diretamente da área da prevenção de acidentes, eu continuo atuando e batendo nessa tecla porque a anos vejo algo que muitos colegas insistem em não querer enxergar.
Então vejamos: sem um conselho próprio, o Técnico em Segurança do Trabalho continua sem voz, sem força política e sem proteção institucional.
A profissão/profissionais ficam subordinados a interesses de outras categorias, que acabam ditando regras sem conhecer a nossa realidade administrativa e principalmente a de chão de fábrica.
Isso abre espaço para desvalorização, precarização e banalização da profissão e da atuação do técnico em Segurança.
E pior ainda: permite que profissionais possivelmente despreparados ocupem espaço, puxando toda a categoria para baixo.
Desculpa, mas eu falo com propriedade porque já vivi a profissão de técnico em segurança do trabalho nas maiores empresa deste país, já atuei em plataforma de petróleo, centro de pesquisas, indústrias petrolífera, gráfica, construção civil, cerveja, fumageira e rede de tv etc. Sempre na linha de frente, inclusive na elaboração do projeto de Lei que regulamentou a profissão de Técnico e Engenheiro em Segurança do Trabalho, assim como Perito e Assistente Técnico PJF/JT/TRT da 1ª Região e Consultor dentre outras.
Hoje, olhando de fora da dependência trabalhista e financeira, tenho algo muito raro e precioso, a experiencia e principalmente a liberdade para dizer a verdade sem medo de retaliação ou perda de emprego.
No meu caso, a defesa do conselho próprio virou quase um compromisso moral porquê defender, ajudar quem ainda precisa da profissão para sobreviver, significa preservar o futuro de toda uma categoria profissional que é a dos Técnicos em Segurança; alguém precisa deixar um legado de organização, respeito e autonomia profissional.
E tem mais um ponto de suma importância:
Técnico em Segurança do Trabalho, saiba que a sua melhoria salarial não virá por decreto-Lei, nem por boa vontade do patrão ou do mercado. Ela só virá quando a classe entender uma verdade simples porém dura: Profissão desorganizada é profissão barata e desacreditada.
Hoje, o técnico trabalha muito, assume grandes responsabilidades, responde por vidas, por patrimônio e por cumprimento legal, mas continua recebendo salários incompatíveis com o peso da função que exerce.
Por quê?
Não temos um Conselho Federal próprio que regulamente a profissão com autonomia e fiscalize o exercício profissional e oferça apoio técnico Profissional, que combata a atuação de leigos e aventureiros e, estabeleça parâmetros mínimos de remuneração e valorização.
Enquanto cada técnico pensar apenas no seu emprego, aceitando qualquer salário “para não perder a vaga”, todos perdem.
O mercado aprende rápido: se sempre houver alguém disposto a trabalhar por menos, o salário nunca sobe;
A falta de união enfraquece a categoria, "pense nisso";
A falta de organização e união, mantém os técnicos refén;
A ausência de um conselho próprio perpetua a desvalorização de toda a classe profissional.
Outras profissões só conquistaram respeito e bons salários quando se organizaram, criaram seus conselhos, definiram limites e passaram a falar com uma só voz. Com o Técnico em Segurança do Trabalho não será diferente.
Não se trata de rivalidade, política ou interesse pessoal. Trata-se de sobrevivência profissional, de futuro e de dignidade do técnico.
É hora de acordar gente!
Ou a classe se une, se organiza e cria seu próprio Conselho Federal, ou continuará reclamando de salários baixos enquanto aceita as mesmas condições de sempre.
A valorização começa com a consciência de classe;
Salário digno nasce da união, não da submissão.
Quando alguém continua lutando mesmo sem precisar, isso deixa claro que não é interesse pessoal - é consciência do que seja uma verdadeira classe e profissional.
Marcio Santiago Vaitsman
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