Qual é a dificuldade do Técnico em Segurança do Trabalho em fazer Reflexão para tomar posição sobre o futuro da sua classe profissional.
Apesar da relevância estratégica da profissão de Técnico em Segurança do Trabalho para a preservação da vida, da saúde do trabalhador e da conformidade legal das empresas, observa-se, ao longo dos anos, uma resistência significativa da própria categoria em se unir de forma organizada para reivindicar melhores condições de trabalho, valorização profissional e salários compatíveis com o nível de responsabilidade exercido.
Acredito eu, que um dos principais fatores dessa fragmentação é a cultura individualista que se consolidou no mercado de trabalho. Muitos profissionais, pressionados pela instabilidade do emprego e pelo medo de represálias, acabam priorizando a manutenção de seus postos de trabalho em detrimento de uma atuação coletiva. Essa postura, embora compreensível no plano individual, enfraquece a classe como um todo e perpetua relações de trabalho desequilibradas.
Outro aspecto relevante é a ausência de uma identidade profissional forte e bem definida. A inexistência de um conselho profissional próprio contribui para a falta de representatividade institucional, deixando a categoria vulnerável a decisões tomadas por outros segmentos que não vivenciam, na prática, a realidade e as responsabilidades do Técnico em Segurança do Trabalho. Sem uma entidade que organize, fiscalize e defenda os interesses da classe, a mobilização coletiva torna-se difusa e desarticulada.
Soma-se a isso o despreparo político-institucional de parte da categoria. Muitos profissionais dominam o conhecimento técnico, mas não foram estimulados a compreender a importância da participação em movimentos associativos, sindicais ou de representação de classe. Como resultado, há baixa adesão a iniciativas coletivas e pouca pressão organizada por mudanças estruturais.
As consequências dessa desunião são evidentes:
Salários historicamente baixos, sobrecarga de responsabilidades, condições de trabalho precárias em muitos ambientes e uma constante desvalorização do papel do técnico, mesmo sendo ele um dos pilares da prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.
Superar essa realidade exige maturidade profissional, consciência coletiva e a compreensão de que avanços reais não são conquistados de forma isolada.
A união da classe não é um ato de confronto, mas de fortalecimento institucional. Somente por meio da organização, do diálogo e da construção de uma representatividade própria será possível galgar um futuro mais digno, com reconhecimento, melhores condições de trabalho e remuneração justa para os Técnicos em Segurança do Trabalho.
Finalizando, insisto em dizer que a classe dos Técnicos em Segurança do Trabalho exerce uma função essencial na proteção da vida e na prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.
No entanto, apesar da elevada responsabilidade técnica e social que carrega, a categoria ainda enfrenta dificuldades históricas para se organizar de forma coletiva e lutar por valorização profissional, melhores condições de trabalho e remuneração compatível.
Vamos Refletir sobre as razões dessa falta de união é um passo necessário para compreender os obstáculos que impedem o fortalecimento da profissão e a construção de um futuro mais digno para todos os Técnicos em Segurança do Trabalho.
Marcio Santiago Vaitsman
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