EM GERAL, ESSA É A VISÃO DO EMPRESÁRIO EM RELAÇÃO AO TÉCNICO EM SEGURANÇA – REFLEXÃO.
Em geral, o empresariado brasileiro ainda enxerga o Técnico em Segurança do Trabalho sob uma ótica limitada e, em muitos casos, utilitarista. O profissional é frequentemente percebido apenas como um instrumento de atendimento às exigências legais impostas pela Legislação e Normas Regulamentadoras, sendo sua atuação reduzida ao cumprimento de obrigações formais e à contenção de riscos fiscais e trabalhistas.
Essa visão restrita ignora deliberadamente a elevada responsabilidade técnica, legal e moral atribuída ao Técnico em Segurança do Trabalho. Trata-se de um profissional que responde, direta ou indiretamente, por acidentes graves, doenças ocupacionais, interdições, multas e até fatalidades, muitas vezes sem dispor de autonomia decisória, recursos adequados ou respaldo institucional para implementar medidas preventivas eficazes que poderiam evitar ou atenuar os acidentes.
A consequência imediata dessa distorção é a precarização da valorização profissional, especialmente no que se refere à remuneração. Apesar de lidar diariamente com riscos à vida humana, patrimônio empresarial e continuidade operacional, o Técnico em Segurança do Trabalho é, em grande parte das organizações, submetido a salários incompatíveis com a complexidade de suas atribuições e com o grau de responsabilidade assumido.
Tal realidade evidencia uma incoerência grave: exige-se alto nível de responsabilidade, mas oferece-se baixa contrapartida financeira e reconhecimento institucional.
Esse cenário é agravado pela ausência de um Conselho Profissional próprio, o que fragiliza a representatividade da categoria, permite a interferência de outros conselhos e contribui para a banalização da função. Sem um órgão regulador forte, a profissão permanece vulnerável à desvalorização salarial, à ocupação indevida de funções técnicas e à percepção equivocada de que a segurança do trabalho é um custo dispensável, e não um investimento estratégico.
Empresas que insistem em tratar a Segurança e Saúde no Trabalho como mera formalidade legal demonstram não apenas despreparo gerencial, mas também desconhecimento dos impactos financeiros, sociais e humanos decorrentes de uma gestão preventiva ineficaz.
Em contrapartida, organizações verdadeiramente comprometidas com a sustentabilidade reconhecem que valorizar técnica, salarial e institucionalmente o Técnico em Segurança do Trabalho é uma decisão estratégica, ética e economicamente inteligente.
Enquanto persistir a falta de união da categoria a profissão continuará enfrentando baixos salários, sobrecarga de responsabilidades e limitada autonomia técnica. A valorização do Técnico em Segurança do Trabalho não é um favor concedido pelo empresariado, mas uma necessidade urgente para a proteção da vida, da dignidade profissional e da própria sustentabilidade das empresas.
Caros colegas, este texto não se propõe apenas à fazer uma reflexão, mas, à ação consciente e organizada da categoria. É um convite direto para que os Técnicos em Segurança do Trabalho abandonem a postura individualista, fortaleçam a união da classe e assumam o protagonismo na defesa de sua valorização profissional.
Somente com mobilização, representatividade e a criação de um Conselho Profissional próprio será possível romper com a desvalorização histórica, os baixos salários e a imposição de responsabilidades sem o devido reconhecimento técnico profissional.
Marcio Santiago Vaitsman
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