Ruído Ocupacional: um risco invisível que exige cuidado.

 


O ruído é um dos agentes físicos mais presentes nos ambientes de trabalho e, muitas vezes, um dos mais negligenciados. Caracteriza-se pela falta de uniformidade e harmonia das ondas sonoras, sendo geralmente percebido como um som desagradável ou indesejável.

A intensidade do ruído é medida em decibéis (dB), enquanto sua frequência é medida em Hertz (Hz). Esses dois parâmetros permitem avaliar a exposição dos trabalhadores e determinar se o ambiente apresenta risco à saúde. É importante destacar que a escala em decibéis é logarítmica, ou seja, um pequeno aumento em dB representa um crescimento significativo da energia sonora.

O controle dos níveis de ruído depende de diversos fatores, como o tipo de equipamento, a disposição das máquinas (layout), os materiais utilizados na construção do ambiente e as características das superfícies, que podem refletir ou absorver o som.

Sempre que possível, o controle deve ser realizado na fonte geradora, por meio da manutenção preventiva, substituição de equipamentos, instalação de enclausuramentos acústicos e utilização de tecnologias menos ruidosas. Quando isso não é suficiente, devem ser adotadas medidas no meio de propagação, como barreiras acústicas e materiais absorventes, e, por último, medidas de proteção individual, como o uso correto de protetores auditivos adequados ao nível de exposição.

Do ponto de vista legal, a NR-15, em seu Anexo nº 1, estabelece os limites de tolerância para exposição ao ruído contínuo ou intermitente. Como referência, uma jornada de 8 horas admite exposição de até 85 dB(A). Acima desse valor, o tempo máximo de exposição deve ser reduzido progressivamente, exigindo medidas de controle e proteção.

Além da perda auditiva induzida por ruído (PAIR), a exposição prolongada pode provocar diversos efeitos à saúde, como:

Estresse e fadiga;

Dificuldade de concentração;

Irritabilidade;

Alterações no sono;

Aumento da pressão arterial;

Redução da produtividade;

Maior probabilidade de acidentes de trabalho devido à dificuldade de comunicação e percepção de sinais de alerta.

O monitoramento periódico dos níveis de ruído por meio de avaliações quantitativas é indispensável para classificar os ambientes de trabalho, identificar situações de risco e definir as medidas preventivas mais eficazes.

Assim sendo, controlar o ruído ocupacional não é apenas uma exigência legal, mas um compromisso com a saúde, a segurança e a qualidade de vida dos trabalhadores.

Investir em prevenção significa preservar a audição, reduzir acidentes, melhorar o ambiente de trabalho e promover uma cultura de segurança cada vez mais sólida.

O melhor protetor auditivo continua sendo a eliminação ou a redução do ruído na sua origem.

Marcio Santiago Vaitsman




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